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09 fevereiro 2017

Olhe para trás / Projeto Neemias #6



E aí galera, graça e paz.
Em Neemias 3 vemos várias vezes falando que "fulano" construiu de tal lugar até tal lugar.
E meditando nesta palavra pensei que nós temos um limite, vivemos de 0 até tantos anos, e o muro da nossa vida que estamos construindo, como ele está? Está torto? Tem brechas? Está mal feito?

Será que quando você olhar para trás você sentirá vergonha ou orgulho?

Talvez você não tenha culpa dos materiais que recebeu para fazer seu muro, talvez sua infância e adolescência foram só de sofrimento e culpa. Mas essa é a oportunidade de você começar a mudar isso. Estamos em reforma, em reconstrução neste ano de 2017.

Você pode derrubar essas pedras que te deram pedindo a Deus que te ajude a perdoar, e colocar no lugar, pedras de amor e perdão. Que te farão ter orgulho no final.

Gostaria de compartilhar um estudo que encontrei e que falou muito ao meu coração.


Na reconstrução dos muros de Jerusalém, foi notável o esforço dos que se dispuseram a trabalhar. Além disso, eles o fizeram com muito amor. Não havia o sentimento de individualismo, nem o de­sejo de mostrar-se e nem o de reclamar posição na obra. Os edifica­dores demonstraram desprendimento, ousadia e dedicação à difícil e penosa tarefa de edificar sobre as cinzas e as ruínas dos muros. O amor a Jerusalém foi a motivação. Sendo assim, todo o esforço foi recompensado. Hoje, mais do que nunca, a obra do Senhor por meio da igreja exige esforço, união e amor.

A Porta do Gado e a Porta do Peixe

A porta do gado. Na Jerusalém em construção, essa porta era utilizada para a saída e a entrada dos animais usados na celebração do culto a Deus no grande Templo reconstruído no tempo de Esdras. De acordo com os estudiosos, essa porta situava-se na “entrada mais oriental do lado norte das muralhas da antiga cidade de Jerusalém (Ne 12.39; Jo 5.2)”.1 Por essa porta, que se achava queimada, e o muro des­truído, foi que se iniciou e se concluiu o circuito da reconstrução dos muros (Ne 3.1,32) no sentido anti- horário, Km algumas versões bíbli­cas, no Novo Testamento, é chamada de “Porta das Ovelhas”. Junto a essa porta, no tempo de Jesus, havia o “tanque de Betesda”, onde Jesus curou o paralítico enfermo havia trinta e oito anos (Jo 5.2-9).
Quem a edificou. A porta do gado ou “porta das ovelhas” foi edificada sob a liderança do sumo sacerdote Eliasibe, “com os seus irmãos, os sacerdotes, edificaram a Porta do Gado a qual consagra­ram e levantaram as suas portas; e até a Torre de Meá consagraram e até a Torre de Hananel” (Ne 3.1). Aqui, percebemos que os sacer­dotes deram início à reconstrução dos muros da cidade. E um ótimo modelo a ser seguido pelos “sacerdotes” atuais que são os obreiros do Senhor, os quais devem dar o exemplo na edificação espiritual da Igreja do Senhor Jesus Cristo. Entretanto, os sacerdotes ou os pasto­res não devem dispensar o trabalho dos leigos na Casa do Senhor. O texto diz: “E, junto a ele, edificaram os homens de Jerico; também, ao seu lado, edificou Zacur, filho de Inri (Ne. 3.2). Isto é, junto ao sumo sacerdote houve o generoso trabalho de outras pessoas igualmente úteis na edificação dos muros. Nas igrejas pentecostais históricas se reconhece o valioso esforço e trabalho dos leigos, incluindo homens, mulheres, adultos, pessoas de todas as idades. Desde que sejam con­vertidos, “os homens de Jerico” são úteis na obra do Senhor.
Aplicação à igreja. Nos dias atuais, nas igrejas cristãs, podemos dizer que a “Porta das Ovelhas” é uma figura de Cristo, ou seja, a “Porta da Salvação”: “Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.7-9).
Quando a “Porta das Ovelhas”, nas igrejas locais, é objeto de zelo e dedicação, o rebanho do Senhor Jesus cresce a cada dia não só em número, mas “na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 3.18). Essa porta é de fundamental importância, pois toda a vida cristã começa em Cristo e todo o desenvolvimento da construção espiritual tem início no momento da conversão.
Essa porta pode ser queimada ou destruída quando a igreja local ou a denominação descuida-se da pregação do evangelho de Cris­to de modo genuíno e passa a pregar mensagens heréticas que são comuns neste século. Na porta da salvação o centro é Cristo, não o homem. Quando o homem tem preeminência, tem-se o “evangelho antropocêntrico”, ou seja, o homem é o centro e Jesus fica de fora, como ocorreu com a Igreja de Laodiceia (Ap 3.20). Como toda por­ta, a porta da salvação precisa de cuidado, de zelo e manutenção.
A porta do peixe (Ne 3.3). Era a porta vizinha à porta do gado. Segundo estudiosos, essa porta ficava na muralha noroeste. Tinha esse nome pelo fato de ser a porta de entrada e saída para os co­merciantes que vendiam peixes em um mercado próximo, mas fora da cidade. Essa porta dava acesso pelo muro exterior. Em Sofonias 1.10, lê-se que a Porta do Peixe ficava na Cidade Baixa.
Quem a edificou. Foi edificada pelos “filhos de Hassenaá que emadeiraram e levantaram as suas portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos. E, ao seu lado, reparou Meremote, filho de Urias, filho de Coz; e, ao seu lado, reparou Mesulão, filho de Berequias, filho de Mesezabel; e, ao seu lado, reparou Zadoque, filho de Baaná. E, ao seu lado, repararam os tecoítas; porém os seus nobres não me­teram o seu pescoço ao serviço de seu senhor” (Ne 3.3-5).
Neste registro, dos edificadores da Porta do Peixe, vemos que o trabalho tinha como cabeça “os filhos de Hassenaá”, mas eles tiveram a cooperação de diversas pessoas. A expressão “ao seu lado, reparou…” indica que houve um trabalho cooperativo em que um grupo de habi­tantes ajudava o outro na difícil tarefa da reconstrução. Interessante é que Mesulão era sogro de Tobias, um dos inimigos de Neemias ao lado de Sambalate e Gesém, mas foi um homem de bem, que não se deixou levar pelos laços de família a fim de fosse contra a obra do Senhor.
Também é digno o registro dos homens de Técoa (tecoítas), que nem faziam parte da lista dos que voltaram do cativeiro, contudo trabalharam na reconstrução dos muros. Certamente eram pessoas que admiravam a obra do Senhor e tinham um apreço pela cidade de Jerusalém. Sem dúvida, não ficarão sem o seu galardão (Mc 9.41).
De igual modo, há também uma referência negativa sobre os “nobres” da cidade que não se dispuseram a ajudar no árduo trabalho, pois diziam que “os seus nobres não meteram o seu pescoço ao serviço de seu senhor”. Os “nobres” constituíam-se de pessoas de maior nível social, talvez fossem intelectuais, ou ocupavam cargos elevados na administração da cidade, mas nada faziam para ajudar uma restauração dos muros. Eram acomodados, preguiçosos e indolentes. Esse tipo de gente atrapalha no desenvolvimento da obra, pois cria problemas para os que querem trabalhar. Que Deus os mantenha bem longe de nós.
Na edificação dessa porta, o escritor registrou que, além da parte do madeiramento, as portas tinham fechaduras e ferrolhos. Há uma lição importante aqui. Fechaduras e ferrolhos falam de segurança, de portas seguras que não se abrem de qualquer forma.
Aplicação à igreja. Na igreja atual, a “Porta do Peixe” pode ser figura da “Porta da Evangelização”. Os que evangelizam são comparados a pescadores. “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4.19). A pregação do evangelho é comparada por Jesus a uma grande pescaria. “Igualmente, o Reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar e que apanha toda qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora” (Mt 13.47,48).
Dessa forma, em toda igreja local deve estar sempre aberta a “Porta do Peixe”, ou a “Porta da Evangelização”. Por ela devem passar os pregadores, os evangelizadores que são os pescadores de almas para o Reino de Deus. Por ela devem passar também todos aqueles que querem passar pela “Porta das Ovelhas”. Uma dá seqüência a outra na vida cristã. Ao entrar pela “Porta do Peixe”, o pecador chega à “Porta das Ovelhas”, que é Jesus.
Vale a pena ressaltar que a construção de portas com fechaduras e ferrolhos pode representar o cuidado com a sã doutrina. Somente a ministração da palavra, com fidelidade e unção, pode evitar que o mundanismo tome conta da Igreja do Senhor. A “Porta do Peixe” nas igrejas locais aponta para a evangelização, que é a missão precípua da Igreja de Jesus. Apenas com a evangelização eficaz e o discipulado dinâmico pode-se ver a “Porta da Evangelização” ou “do Peixe” sendo utilizada para o crescimento do Reino de Deus.

A Porta Velha e a Porta do Vale

A porta velha. Por que esse nome? Não se sabe ao certo. Há quem afirme que se tratava de uma velha porta na parte mais antiga da cidade. Sua localização não ficou bem clara no livro dc Neemias. Champlin diz que “Seja como for, parece que essa entrada da cidade ficava na esquina noroeste ou próximo a ela”.3
Quem a edificou. Diz o livro: “E a Porta Velha repararam-na Joiada, filho de Paseia; e Mesulão, filho de Besodias; estes a emadei- raram e levantaram as suas portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos. E, ao seu lado, repararam Melatias, o gibeonita, e Jadom, meronotita, homens de Gibeão e Mispa, que pertenciam ao domínio do governador daquém do rio. Ao seu lado, reparou Uziel, filho de Haraías, um dos ourives; e, ao seu lado, reparou Hananias, filho de um dos boticários; e fortificaram a Jerusalém até ao Muro Largo. E, ao seu lado, reparou Refaías, filho de Hur, maioral da metade de Jerusalém. E, ao seu lado, reparou Jedaías, filho de Harumafe, e defronte de sua casa; e, ao seu lado, reparou Hatus, filho de Hasab- neias” (Ne 3.6-10).
Nada se sabe acerca dos líderes da construção da “Porta Velha”. Nessa edificação, notamos que há funcionários públicos, como Ja­dom, homens de Gibeão e Mispá que “pertenciam ao domínio do go­vernador daquém do rio”. Havia ourives, como Uziel; um boticário, uma pessoa que manipulava remédios, e até um “maioral da metade de Jerusalém” participou da reconstrução.
Aplicação à igreja. A “Porta Velha” pode-se compreender como a “Porta da Doutrina”. Desde que a Igreja existe, a doutrina funda­mental, que é a sua base de fé e prática, está firmada na Palavra de Deus. Ela não é nova, não é moderna, nem pós-moderna. É antiga, quando se pensa no tempo de sua existência. Foi o profeta Jeremias quem melhor recebeu de Deus o sentido dos ensinos antigos que haveriam de nortear a vida do povo de Deus.
Diz o texto bíblico: “Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos ca­minhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom ca­minho, e andai por ele; e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem; Não andaremos” (Jr 6.16). “Veredas antigas” ou “o bom caminho”, sem dúvida alguma, é uma referência aos fundamentos da doutrina que Deus mandou ensinar ao seu povo, mas por causa da rebeldia disseram: “Não andaremos”. No mundo atual, em pleno século 21, há muitos crentes, membros de igrejas locais, que não querem submeter-se à doutrina. Não querem passar por baixo da “Porta Velha”.
Preferem as “portas novas” construídas sobre o humanismo e o relativismo, que são parâmetros do pós-modernismo. Em muitas igrejas, os modismos doutrinários têm mais importância do que os antigos ensinos sagrados fundamentados na Palavra de Deus. Mui­tos querem remover os “limites antigos” (Pv 22.28) que constituem a base espiritual e moral sobre a qual a Igreja do Senhor se assenta, ao sabor dos modismos e das inovações dos tempos pós-modernos. A Igreja não é formada de pedras nem de cimento, mas de pessoas resgatadas do mundo, do pecado e do Diabo para serem “o templo do Deus vivente”, como nos declara a Bíblia: “Neles habitarei e en­tre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2 Co 6.16).
Como “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15), a Igreja do Senhor Jesus Cristo precisa ser a referência espiritual, ética, moral e doutrinária para o mundo. Não pode admitir mudanças e inovações que minem suas bases. Na verdade, a Igreja não precisa de inova­ções, mas, sim, de renovação espiritual a fim de receber o poder, a graça e a unção para manter-se como “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5.27). É um desafio de grande dimensão para os nossos dias, mas podemos confiar em sua vitória, pois Jesus é o responsável por sua edificação, visto que ela é: “a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11.10).
Os modismos doutrinários, tais como teologia da prosperidade, confissão positiva, teísmo aberto, teologia do processo, G-12, entre outros, são fruto da mentalidade pós-moderna que tem dominado muitos teólogos e ensinadores. E comum ouvirmos desses “mestres” pós-modernos críticas aos antigos ensinos baseados em argumentos falaciosos, como por exemplo, “não estamos mais nos tempos arcai­cos”, “precisamos rever nossos velhos conceitos teológicos”.
Contratais pseudo-avanços, em termos doutrinários, a Bíblia diz: “Não removas os limites antigos que fizeram teus pais” (Pv 22.28). Esses limites são fronteiras doutrinárias e ensinos fundamentados na Palavra de Deus. Eles não devem ser ultrapassados sob pena de a Igreja sofrer graves prejuízos espirituais e morais diante do mundo, e perder sua vigorosa e saudável capacidade de ser “sal da terra “e “luz do mundo” (Mt 5.13,14). Se há uma porta que devemos considerar é a “Porta Velha” da doutrina bíblica, consolidada na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.
A porta do vale. Como o nome indica, essa porta dava saída para um vale ao lado oeste de Jerusalém. E mencionada em 2 Crô­nicas 28.6 e Neemias 2.13,15; 3.13. Foi por ela que Neemias iniciou a sua inspeção para constatar pessoalmente como se encontrava a cidade. Foi também onde ele concluiu sua inspeção ao passar por outras portas da muralha.
Quem a edificou. A parte que incluía a Porta do Vale era de grande extensão. “A Porta do Vale, reparou-a Hanum e os moradores de Zanoa; estes a edificaram e lhe levantaram as portas com fecha­duras e os seus ferrolhos, como também mil côvados do muro, até à Porta do Monturo” (Ne 3.13). Para as condições de trabalho à época, era um trecho muito grande, com cerca de quinhentos metros (1.000 côvados). Ao que parece, a reconstrução não foi apenas da parte de alvenaria, mas das portas de madeira. O texto acrescenta: “levanta­ram as portas (de madeira), com fechaduras e ferrolhos” (parêntese acrescido).
Aplicação à igreja. Que seria a porta do vale para os dias de hoje? Dentre outras aplicações, podemos dizer que seria “A Por­ta da Adoração”, ou a “Porta da Oração”, ou ainda “A Porta da Humilhação”. Topograficamente, o vale é uma depressão de terra entre lugares elevados, entre montes ou montanhas. Espiritual­mente, existem diversos sentidos para se entender o vale. Signi­fica atitude de descer na presença de Deus. O Senhor queria falar como o profeta Ezequiel. Poderia tê-lo feito onde ele se achava, mas mandou que descesse: “li a mão do Senhor estava sobre mim ali, e ele me disse: Levanta-te e sai ao vale, e ali falarei contigo” (Ez 3.22). Foi uma experiência extraordinária descer ao vale para ouvir Deus falar.
Diz o texto bíblico: “E levantei-me e saí ao vale, e eis que a gló­ria do Senhor estava ali, como a glória que vi junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto. Então, entrou em mim o Espírito, e me pôs em pé, e falou comigo, e me disse: Entra, encerra-te dentro da tua casa” (Ez 3.23). Descendo ao vale, o profeta viu a glória de Deus; caiu so­bre o seu rosto e foi cheio do Espírito de Deus. Muitas vezes o crente está no ápice do ministério, contudo não ouve mais a voz de Deus. Talvez esteja no pedestal do orgulho pessoal, da posição social ou financeira, e se esquece de Deus. Assim como Zaqueu, que precisou descer da figueira brava, é necessário descer ao vale da humildade, ao vale da oração e do quebrantamento para sentir a presença de Deus e ouvir a sua voz.
O vale pode ser lugar de lutas e batalhas. No senso comum, mui­tos irmãos dizem: “Estou atravessando um vale profundo…”, referindo-se às tribulações que enfrentam. Gideão enfrentou os midianitas, no vale (Jz 7.1); a batalha contra os filisteus se deu num vale onde Golias foi derrotado por Davi (1 Sm 17.3; 48-51). Mas para vencer os vales de lutas, é preciso descer ao vale da oração. “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (SI 51.17).

A Porta do Monturo e a Porta da Fonte

A porta do monturo. Esta porta só se abria para fora. Era por ela que os lixeiros ou os moradores jogavam o lixo que era despejado no Vale de Hinon, por onde atravessava o ribeiro de Cedron. Segundo Champlin, era “uma espécie de esgoto a céu aberto. Cf. Ne 2.13”.6
Quem a edificou. “E a Porta do Monturo, reparou-a Malquias, filho de Recabe, maioral do distrito de Bete-Haquerém; este a edificou e lhe levantou as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos” (Ne 3.14). Ao se referir a reparos, o texto sugere que aquela parte do muro não tinha sido destruída, mas necessitava de reparos. Tal como a porta anterior, o versículo em apreço diz que as portas foram levanta­das com fechaduras e ferrolhos. Isso indica que as portas propriamente ditas tinham sido destruídas e queimadas a fogo. O seu edificador foi Malquias, que era uma espécie de governador ou administrador distri­tal de Bete-Haquerém, que significa “Casa de Vinhedos”.
Aplicação à igreja. Toda a igreja local, em qualquer tempo, pre­cisa ter sua “Porta do Monturo”. Isso porque, em qualquer denomi­nação, no sentido local, há coisas que podem ser comparadas a lixo no sentido espiritual ou moral. Esse “lixo” pode ser pecado, maus procedimentos, mau testemunho, intrigas, invejas, mexericos, fofo­cas e outros comportamentos que não devem ser tolerados na casa do Senhor. As “obras da carne” (G1 5.19-21) quando surgem na igreja, de uma forma ou de outra, precisam ser despejadas para fora com a autoridade do Espírito Santo.
Inclusive, algumas vezes, o “lixo” é produzido por líderes que ocupam cargos no ministério. Desonestidades, má administração dos recursos financeiros, que incluem os dízimos e as ofertas, muitas vezes, são usados ilicitamente. Pecados ocultos são lixos guardados nos “depósitos espirituais”, e, quando são expostos, causam grandes prejuízos. Esse é o “lixo” que mais fede. O caminho é a confissão de pecados com o abandono de sua prática (Pv 28.13). Os líderes das igrejas precisam usar a disciplina de modo correto, com justiça, para que a sujeira espiritual não prolifere no meio do povo de Deus.
A porta da fonte. O nome indica que ficava próxima a uma fon­te. Seu construtor foi Salum. Os estudos indicam que se tratava da Fonte de Siloé (Selá), pois ficava próxima ao jardim do rei. Em João 9.7, vemos o episódio em que Jesus mandou o cego de nascença ir lavar-se no “Tanque de Siloé”, onde ele foi curado. Ali havia um viveiro de peixes, onde as pessoas se abasteciam do pescado.
Quem a edificou. “E a Porta da Fonte reparou-a Salum, filho de Col-Hozé, maioral do distrito de Mispa; este a edificou, e a cobriu, e lhe levantou as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos, como também o muro do viveiro de Selá, ao pé do jardim do rei, mesmo até aos degraus que descem da Cidade de Davi” (Ne 3.15). A partir dessa parte da muralha, outros edificadores foram registrados. Neemias, líder da parte “da metade de Bete-Zur”, também contri­buiu com um belo exemplo para seus liderados. Esse Neemias não ora o escritor do livro.
Diz o texto: “Depois dele, edificou Neemias, filho de Azbuque, maioral da metade de Bete-Zur, até defronte dos sepulcros de Davi, e até ao viveiro artificial, e até a casa dos varões” (Ne 3.16). Ao que parece, foi extensa a faixa da muralha na qual esse Neemias coope­rou. O texto destaca o papel dos sacerdotes levitas que não se limi­taram a cuidar do louvor ou dos objetos do santuário, mas puseram “a mão na massa” ajudando seus irmãos no esforço para recuperar a cidade. “Depois dele, repararam os levitas, Reum, filho de Bani, e, ao seu lado, reparou Hasabias, maioral da metade de Queila, no seu distrito” (Ne 3.17).
Aplicação à igreja. A Porta da Fonte tem ligação com a Porta Velha (Porta da Doutrina). Mas podemos dizer que “a Fonte”, propria­mente dita, é a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Esta é a fonte da pregação, do ensino, da doutrina, do discipulado e de todas as orienta­ções necessárias à vida saudável da Igreja do Senhor Jesus Cristo. A Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de ciência e de sabe­doria. E dela que emana a luz para os nossos caminhos (SI 119.105). “Porque o mandamento é uma lâmpada, e a lei, uma luz, e as repreen­sões da correção são o caminho da vida” (Pv6.23). A Palavra tem a sabedoria do Senhor (Pv 2.6). As palavras do Senhor são fonte de vida espiritual e de saúde para o corpo: “Filho meu, atenta para as minhas palavras; às minhas razões inclina o teu ouvido. Não as deixes apartar- se dos teus olhos; guarda-as no meio do teu coração. Porque são vida para os que as acham e saúde, para o seu corpo” (Pv 4.20-22).
A Palavra de Deus é fonte do saber e do entendimento, pois sua eficácia atinge a parte espiritual, emocional e física do homem. “Por­que a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensa­mentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4.12,13).

A Porta das Águas e a Porta dos Cavalos

A porta das águas (Ne 3.26). Esta porta “ficava ao lado oriental do monte Siló, defronte da Torre de Giom”, junto da “Torre Alta”. Seu nome deve-se, naturalmente, à existência de fontes de águas em suas proximidades.
Quem a edificou. “Palal, filho de Uzai, reparou defronte da es­quina e a torre que sai da casa real superior, que está junto ao pátio da prisão; depois dele, reparou Pedaías, filho de Parós, e os netineus, que habitavam em Ofel, até defronte da Porta das Águas, para o oriente, e até à torre alta” (Ne 3.25,26). Os netineus, ou “netinim”, eram serviçais do templo, que cooperavam com os sacerdotes e os levitas (Ed 2.43,58,70). Sua origem remonta aos gibeonitas que enganaram a Josué e foram feitos tiradores de água e rachadores de lenha (Js 9.21). Os que habitavam junto à Porta das Águas, provavel­mente, dedicavam-se ao transporte de água para o Templo.
Aplicação à igreja. Em cada igreja local faz-se indispensável ter a “Porta das Águas”. Sem água, é impossível viver. A Terra é formada de 70% de águas. O corpo humano tem a mesma propor­ção do precioso líquido. No sentido espiritual, águas representam a presença, o enchimento e a unção do Espírito Santo. “E, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isso disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (Jo 7.37-39).
Quando os crentes crêem Jesus, “como diz as Escrituras, rios de água viva” correm do seu interior. Quando há a “Porta das Águas”, por onde passa esse rio, a unção do Espírito Santo flui do púlpito para a co­munidade. O profeta Isaías viu essas águas que saem das fontes divinas: “E vós, com alegria, tirareis águas das fontes da salvação” (Is 12.3).
A porta dos cavalos (Ne 3.28). Como o nome sugere, por esta porta entravam os cavalos do rei para os estábulos. Situava-se “na extremidade ocidental da ponte que conduzia do monte de Sião ao Templo de Jerusalém (Jr 31.40)”.7 Há diversas referências a essa poria no Antigo Testamento. Foi junto a ela que a ímpia rainha, Jeza- bel, foi morta (2 Rs 11.16; 2 Cr 23.15).
Quem a edificou. “Desde a Porta dos Cavalos, repararam os sacerdotes, cada um defronte da sua casa. Depois deles, reparou Zadoque, filho de Imer, defronte de sua casa, e, depois dele, reparou Semaías, filho de Secanias, guarda da Porta Oriental” (Ne 3.28,29). Aqui, vemos os sacerdotes que serviam no Templo encarregarem-se dc participar da reedificação dos muros e das portas. Interessante é notar que eles cuidaram de edificar “cada um defronte de sua casa”, É uma lição positiva. Não adiantaria edificar em outras partes da muralha e deixar a frente de sua casa arruinada.
Não deveria haver nas igrejas a “Porta dos Cavalos”. Ela fica­va próxima às residências dos sacerdotes que se situavam entre o Templo e o palácio. Igreja é lugar de ovelhas, e não lugar de equinos. Ao que tudo indica, os antigos reis demonstravam seu poder e sua vaidade possuindo muitas mulheres e muitos cavalos que eram verdadeiras “armas de guerra” usadas pela maioria dos exércitos antigos.
Salomão, por exemplo, foi o exemplo exagerado dessa vaidade e soberba. Ele reuniu milhares desses animais em suas estrebarias. “Tinha também Salomão quarenta mil estrebarias de cavalos para os seus carros e doze mil cavaleiros” (1Rs 4.26). Como se não bastas­se, o filho de Davi construiu um escandaloso harém, com “setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe per­verteram o coração” (1 Rs 11.3).
Em resumo, no nosso entender, cavalos representam a força e o poder humano. Quando numa igreja local o poder humano tem pre­valência, o poder do Espírito Santo se afasta. Infelizmente, é o que se vê, em muitas igrejas, e, lamentavelmente, em muitas convenções de pastores. A busca pelo poder humano é tão grande, tão ostensiva e tão descarada, que montados em “seus cavalos” de prestígio, car­regados de dinheiro, não medem preço para comprar consciências em campanhas políticas que em nada ficam a desejar em termos de corrupção. Eles entram e saem, transitando pela “Porta dos Cavalos” com total desenvoltura, atropelando a Palavra de Deus, a ética e a moral que deveriam nortear a conduta dos líderes cristãos. Esquecem-se. Mas haverá um julgamento, “De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.12).

A Porta da Guarda e a Porta Oriental

Porta da guarda (Ne 3.31). Há divergências entre os estudio­sos da Bíblia quanto ao significado e a localização dessa porta. Na versão portuguesa, é chamada de porta de Micfade (hb. miphkad). O nome também é controverso, pois micfade significa assembleia ou recenseamento. Ficava na seção nordeste de Jerusalém. Intérpretes entendem que em cima da muralha, junto a essa porta, reuniam-se membros do Sinédrio. A nosso ver, é razoável a tradução por Porta da Guarda.
Quem a edificou. “Depois dele, reparou Malquias, filho de um ourives, até à casa dos netineus e mercadores, defronte da Porta de Mifcade, e até à câmara do canto. E, entre a câmara do canto e a Porta do Gado, repararam os ourives e os mercadores” (Ne 3.31,32). Essa parte da muralha foi edificada por Malquias, ajudado pelos ourives e pelos pescadores.
Aplicação à igreja. Aporta da Guarda é indispensável em qual­quer igreja local que se preze. A guarda fala dos encarregados da segurança de uma instituição militar, de um quartel, de um acampa­mento, de um exército. Depois que o homem pecou, nunca mais as pessoas dormiram tranqüilas, sem adotar cuidados de segurança, às vezes, até exagerados. Os perigos rondam por toda a parte, a qual­quer hora do dia ou da noite.
Nas igrejas, de igual modo, existe a necessidade de segurança continuamente. Os guardas da igreja local são os obreiros que lide­ram a obra do Senhor sob a direção do pastor, que é o líder do reba­nho que o Senhor lhe confiou. Cada membro deve ter a consciência de que precisa zelar pela segurança da casa do Senhor, não apenas em termos humanos, mas, sobretudo, em termos espirituais. Diz Pe­dro: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8).
O pastor é o atalaia da igreja local. Deus lhe confiou a seguran­ça espiritual de seus servos. “Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e os aviarás da minha parte.” (Ez 3.17). É ensinando a palavra, ministrando a sã doutrina, que o obreiro propicia segurança à igreja. Mas se ele for negligente, c houver prejuízo ao rebanho, a cobrança de Deus será terrível.
“Mas, se, quando o atalaia vir que vem a espada, não tocar a trombeta, e não for avisado o povo; se a espada vier e levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniqüidade, mas o seu sangue demandarei da mão do atalaia. A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lha anunciarás da minha parte. Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares, para desviar o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniqüidade, mas o seu sangue eu o demandarei da tua mão” (Ez 33.6-8).
A porta oriental (Ne 3.29). O nome indica que esta porta ficava bem ao lado oriental da cidade. Era a porta do oriente no Templo. Também se chamava a Porta do Rei, depois que os judeus voltaram do exílio (1 Cr 9.17). O profeta Ezequiel teve visões importantes com essa porta. Os querubins postaram-se junto a ela (Ez 10.19). Ele viu a glória de Deus entrar na casa do Senhor pela porta oriental (Ez 43.14). Ali, segundo a Bíblia, “o príncipe” entrará por ela, para oferecer holocaustos. Os judeus fecharam essa porta esperando que um dia o Messias entrará por ela (cf. Ez 46.12). Essa porta é tão im­portante que é também chamada de Porta Formosa, e ainda hoje, per­manece fechada. Certamente, Jesus entrará por ela com a sua igreja para implantar o reino milenial com a sua capital em Jerusalém.
Quem a edificou. “Depois deles, reparou Zadoque, filho de Imer, defronte de sua casa, e, depois dele, reparou Semaías, filho de Secanias, guarda da Porta Oriental. Depois dele, reparou Hananias, filho de Selemias, e Hanum, filho de Zalafe, o sexto, outra porção; depois deles reparou Mesulão, filho de Berequias, defronte da sua câmara” (Ne 3.29,30). Aqui, o que nos chama a atenção é o fato de Mesulão ter construído “defronte de sua câmara”, ou seja, em frente ao seu quarto de dormir.
Aplicação à igreja. Nas igrejas locais, a Porta Oriental deve ser a mais observada, a mais vista. Ela também é chamada de “A Porta Formosa”. Podemos dizer que essa porta, espiritualmente, é a Porta da Direção de Deus. O oriente ou o leste sempre foram o ponto cardeal, símbolo da direção divina. E não o Norte. O Éden foi construído da banda do oriente (Gn 2.8). O exército dc Judá que dava direção ao deslocamento das tribos, no deserto, ficava no orien­te (Nm 2.3). A glória do Senhor apareceu ao oriente (Ez 11.23; 43.4). As águas purificadoras saíam para o oriente (Ez 47.1). Os magos foram guiados a Jesus por uma estrela que viram no oriente (Mt 2.9). Zacarias, pai de João Batista, cantou, dizendo que “o oriente do alto nos visitou” (Lc 1.78).
Em toda a igreja, é indispensável, mais do que nunca, que haja a direção de Deus. Existe uma confusão espiritual e doutrinária tão grande que causa perplexidade até nos mais experientes seguidores de Cristo. Contudo, a Igreja do Senhor alcançará os seus objetivos e será coroada na vinda do Senhor e Salvador Jesus Cristo.
A análise sucinta a cerca da reparação ou da edificação, das por­tas do muro de Jerusalém, ao tempo de Neemias, leva-nos a meditar como é importante não só haver uma igreja local bem edificada espi­ritual e fisicamente, mas é indispensável que haja muros de proteção, que garantam a segurança espiritual e moral dos salvos em Jesus Cristo.
Fonte: http://nascidodenovo.org/v4/estudos-biblicos/neemias-pt-3-a-construcao-em-tempos-de-crise/

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